Entrevistas

Entrevista | Transformação Digital com Fernando Moulin

Hoje entrevistamos o Fernando Moulin, partner da Sponsorb, professor e especialista em negócios, transformação digital e experiência do cliente. 

Natural de Volta Redonda (RJ), Fernando Moulin é um dos principais especialistas brasileiros em transformação digital, inovação e gestão da experiência do cliente, além de ser um dos pioneiros do Marketing Digital/CRM no país. 

Graduado em Engenharia Química pela Unicamp, possui MBA Executivo Internacional pela FIA-USP e realizou cursos de marketing e negócios em diversas instituições internacionais, como Kellogg/NorthWestern (Estados Unidos), INSEAD (França), Cambridge (Reino Unido) e Lingnan University (China).  Tem mais de 20 anos de experiência na função de executivo em grandes organizações, como Telefônica/Vivo, Cyrela, Nokia, Pão de Açúcar, Claro, Citibank, entre outros. 

Co-fundador da Malbec Angels, mentor de startups e advisor estratégico, também é palestrante profissional e professor de disciplinas ligadas a suas áreas de expertise em instituições como a ESPM, o INSPER e a Live University, além de ser colunista de diversos veículos importantes de mídia e jurado de diversas premiações de mercado. Atualmente, é partner da Sponsorb, empresa boutique de business performance. 

Confira a entrevista completa:

1-) (Redação) – Até que ponto o metaverso pode influenciar nos resultados do e-commerce?

(Fernando Moulin) Neste momento, a influência real será “nenhuma”. Ainda antevejo alguns anos para que o metaverso de fato se torne mais massificado, a partir da crescente miniaturização dos sensores (para inclusão nos dispositivos físicos – hardware – que viabilizarão a conexão ao metaverso), do avanço das redes 5G e sua altíssima conectividade, do desenvolvimento de estudos de caso e para que haja um número maior de consumidores neste novo ambiente de consumo. 

Porém, normalmente quando este tipo de tecnologia atinge o seu “ponto de inflexão” na curva de crescimento, esse processo ocorre em velocidade exponencialmente crescente. E aí sim veremos um rápido crescimento da participação de interações de consumo no metaverso dentro do total das transações via e-commerce. 

Portanto, tenho sido um grande defensor de que as marcas precisam desde já realizar testes no metaverso, para ir aprendendo e cocriando com seus consumidores enquanto a tecnologia ainda é uma novidade, para capturar mais valor rapidamente durante a aceleração que potencialmente virá daqui por diante. 

2-) (Redação) – Como os empreendedores e varejistas podem utilizar a realidade aumentada a favor do seu negócio? 

(Fernando Moulin) A realidade aumentada, cada vez mais viabilizada tecnicamente e que tem tudo para ser uma das primeiras tecnologias a ser adotada em larga escala (junto com a realidade virtual) conforme avança a expansão das redes 5G, possibilita a interação virtual com mercadorias, produtos, serviços e quaisquer experiências de consumo para exploração de funcionalidades, características, casos de uso e muito mais. 

Como o varejo basicamente consiste cada vez mais em prover experiências engajadoras e altamente personalizadas para os consumidores, antevejo que a realidade aumentada possibilitará um leque amplo de soluções dos varejistas para aumentar a conversão em compra de seus clientes: experimentações de produtos e serviços altamente fidedignas, demonstrações, pré-venda, cocriação de funcionalidades e características individualizadas, e muito mais. 

Por exemplo, imagine as possibilidades que uma incorporadora passa a ter de demonstrar o projeto de seu empreendimento para um potencial comprador, navegando virtualmente pelo decorado, pelas áreas comuns do projeto, integrando o stand de vendas com uma extensão digital da experiência, ou mesmo no caso do metaverso facilitando a criação de comunidades virtuais de moradores ou pessoas do bairro… enfim, uma miríade de possibilidades.

3-) (Redação) – O que deve ser considerado ao implementar o metaverso em um empreendimento?

(Fernando Moulin) Principalmente que ainda se trata de algo muito novo, com um conjunto de soluções técnicas (hardware, software) em desenvolvimento, e que hoje se aproxima mais das experiências coletivas vivenciadas através de plataformas como Roblox, Gather ou de games, e que ainda levará alguns anos para amadurecer em formatos escaláveis e mais “definitivos”. Assim sendo, minha principal recomendação é a realização de muitos testes práticos e projetos com a finalidade principal de aprender mais sobre as possibilidades que advirão desta nova realidade e para aumentar o engajamento com consumidores em potencial. O metaverso deve ser encarado, por hora, como um grande campo de testes para o futuro.

4-) (Redação) – Você acredita que a inteligência artificial pode mudar o relacionamento entre consumidor/cliente e o empreendedor? 

(Fernando Moulin) Certamente. E isso já é muito mais real do que imaginamos. A maior parte das pessoas tende a associar inteligência artificial a processos altamente robotizados e distantes de nosso dia a dia, mas de fato é uma técnica de aplicação corriqueira em muitas situações de nosso dia a dia, como navegar e interagir em uma rede social, ou mesmo quando nosso smartphone filtra fotos automaticamente na galeria. 

A inteligência artificial irá ser fundamental para possibilitar personalização em escala e níveis de serviço cada vez melhores – desejos totalmente em linha com os manifestados por qualquer extrato de consumidores, de todos os segmentos de negócio.  

Para o empreendedor, a aplicação de IA poderá significar campos de eficiência em escala, aumento do grau de inteligência no uso dos dados associados a seu negócio, e ganhos financeiros através de receitas incrementais, desenvolvimento de novas soluções para os clientes, ou reduções de custo.

5-) (Redação) – Quais são os principais desafios que você imagina que as empresas poderão ter com esta entrada no metaverso? 

(Fernando Moulin) Acho que a consolidação do metaverso como uma nova dimensão de vida, e não somente de negócios, fará com que as fronteiras entre os mundos “físico” e “digital” se tornem cada vez mais difusas, principalmente para as novas gerações, que já nasceram em um mundo pós-surgimento da internet e com a conectividade em formato móvel (celulares conectados) estabelecida. 

Os desafios serão de toda sorte e natureza, pois talvez esta venha a ser a maior mudança na história da humanidade em termos de hábitos e possibilidades. 

Alguns dos principais deles certamente passarão por: 

– Necessidade de conhecimento do uso de tecnologia e dados por todos os profissionais da organização; 

– Reinvenção dos produtos e serviços para captura de valor no digital/metaverso; 

– Desenvolvimento de nova cultura corporativa, inclusive apoiada por reuniões virtuais entre times/pessoas em vários lugares fisicamente distantes entre si e baseada em competências técnico-atitudinais essenciais a esta realidade; 

– Ressignificação do conceito de Centralidade no Cliente (seu cliente poderá preferir se denominar como um avatar de dinossauro, por exemplo, e não por um nome ou foto) e de toda a proposição de valor necessária para prover experiências excepcionais aos clientes; 

– Inovação aplicada e em tempo real; 

– Cultura de teste e aprendizagem contínuos; 

– Integração dos meios de pagamento com todas as possibilidades oriundas do DeFi (Decentralized Finance). 

Etiquetas
Mostrar mais
Novo Canal de Conteúdos | Chat WhatsApp Portal Customer Acesso Novo Canal de Conteúdos CHAT WhatsApp - Portal Customer

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar