A nova era do atendimento ao cliente no Brasil: empatia e cultura como diferenciais
Com raízes culturais fortes e um consumidor cada vez mais exigente, o Brasil vive uma transformação no atendimento ao cliente, marcada pela escuta ativa, humanização e respeito às identidades locais.

O atendimento ao cliente no Brasil está passando por uma profunda transformação — e essa mudança tem tudo a ver com a forma única como os brasileiros se relacionam, sentem e consomem. Em um país conhecido pela hospitalidade, calor humano e diversidade cultural, a exigência por um atendimento mais empático e sensível às especificidades regionais tem se tornado um diferencial competitivo tão relevante quanto preço ou qualidade de produto.
Se por um lado a tecnologia tem automatizado processos e ampliado a capacidade de resposta das empresas, por outro, cresce a consciência de que o verdadeiro encantamento do cliente está na escuta ativa, no respeito às emoções e na valorização da cultura local. O consumidor brasileiro, com suas raízes profundas em experiências sensoriais e relacionamentos interpessoais, exige cada vez mais que o atendimento reflita sua identidade e contexto. Em outras palavras, quer ser tratado como único — e não como mais um número no sistema.
De acordo com a Opinion Box (2023), 72% dos consumidores brasileiros afirmam que um bom atendimento influencia mais na fidelização do que o próprio produto. Além disso, 65% disseram que já deixaram de comprar de uma marca após uma experiência negativa de atendimento. Esses números revelam a importância estratégica de humanizar as interações e investir em escuta qualificada.
Empresas que atuam no Brasil precisam compreender que o atendimento vai muito além de resolver um problema: trata-se de construir confiança, gerar conexão e traduzir valores. Não à toa, marcas como Nubank, Natura e Havaianas se destacam por conseguir unir eficiência com linguagem acessível, acolhimento e respeito às singularidades culturais do país.
Em regiões como o Nordeste, por exemplo, o tom de voz do atendimento, a valorização do sotaque e a sensibilidade à informalidade típica fazem diferença. Já no Sul, o cliente pode valorizar mais a objetividade e o cumprimento exato de prazos. Entender essas nuances e aplicar isso no relacionamento com o consumidor é o que torna uma experiência verdadeiramente memorável.
Como afirma Euriale Voidela, Sócia Diretora da CXPRIME:
“No Brasil, a empatia não é só uma habilidade — é uma exigência cultural. Atender bem é compreender o outro em sua plenitude.”
Neste artigo, vamos mergulhar na nova era do atendimento ao cliente no Brasil. Vamos explorar como a empatia se tornou um pilar essencial das relações de consumo, de que forma os aspectos culturais influenciam o sucesso do atendimento, e quais estratégias têm sido adotadas por empresas brasileiras que buscam se destacar em um mercado tão diverso quanto exigente.
Prepare-se para entender por que, no Brasil, ouvir bem é o primeiro passo para encantar de verdade.
Atendimento empático: o novo padrão de excelência
Nos últimos anos, o termo “empatia” ganhou destaque no vocabulário corporativo, mas seu real significado vai muito além de uma palavra bonita. No contexto brasileiro, empatia no atendimento é a capacidade de enxergar o cliente como alguém que compartilha valores, dores e contextos sociais diversos — é reconhecer o outro como legítimo em suas emoções e necessidades.
Empresas que compreendem isso não apenas resolvem problemas, mas transformam situações difíceis em oportunidades de encantamento. Um bom exemplo vem da rede varejista Magazine Luiza, que, durante a pandemia, reforçou treinamentos para seus atendentes com foco em escuta ativa e acolhimento emocional, principalmente diante de situações delicadas como inadimplência ou dificuldade de pagamento. O resultado foi um aumento no NPS (Net Promoter Score) e maior fidelização do cliente, mesmo em cenários adversos.
Outro case relevante é o da startup Me Poupe!, da economista Nathalia Arcuri, que criou uma comunicação próxima, divertida e inclusiva para tratar de finanças pessoais, um tema muitas vezes associado à vergonha e tabu. O atendimento da empresa segue a mesma linha, oferecendo suporte com linguagem acessível e atenção às necessidades emocionais dos usuários — especialmente aqueles em situação de endividamento.
A empatia, portanto, deixou de ser um diferencial e se tornou um requisito básico para que as marcas brasileiras se mantenham relevantes. Isso envolve desde a postura dos atendentes até a criação de políticas flexíveis, escuta ativa e treinamento constante. A inteligência emocional hoje é uma das soft skills mais valorizadas em equipes de atendimento, e o Brasil, com seu forte senso de coletividade e afetividade, é terreno fértil para que essa habilidade floresça.
Cultura regional como ferramenta de conexão
Uma das maiores riquezas do Brasil é sua diversidade cultural. Cada região tem seus costumes, expressões, modos de falar, agir e consumir. Para oferecer um atendimento realmente eficaz e memorável, as empresas precisam respeitar e, mais do que isso, valorizar essas diferenças.
A marca de cosméticos O Boticário é exemplo de como essa adaptação cultural pode ser feita com sensibilidade. Em suas campanhas regionais e canais de atendimento, há adaptações no vocabulário, respeito às datas comemorativas locais e valorização de expressões afetivas típicas de cada região. Essa estratégia fortalece o vínculo com o consumidor e transmite uma mensagem clara: “Nós conhecemos e respeitamos quem você é”.
No Norte e no Nordeste, por exemplo, o uso de expressões locais, o tom acolhedor e a informalidade têm papel importante no sucesso da comunicação. Já no Sudeste e Sul, o consumidor pode valorizar mais a agilidade, clareza nas informações e precisão nos prazos. Adaptar o discurso, o canal e até o tipo de atendimento a esses padrões é essencial para criar conexão real.
Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva (2023), 81% dos consumidores brasileiros afirmam preferir empresas que respeitam sua cultura e identidade regional. Isso mostra que personalizar o atendimento com base em aspectos culturais não é apenas uma boa prática — é uma demanda real e crescente do consumidor.
A linguagem como ponte entre marca e cliente
Outro ponto central do atendimento empático e culturalmente sensível é a linguagem. No Brasil, a forma como se fala importa tanto quanto o conteúdo da fala. O uso de palavras gentis, o tom de voz, o cuidado com as expressões regionais e até a empatia na escrita fazem toda a diferença na percepção do cliente.
As empresas mais bem avaliadas em atendimento geralmente investem em manuais de linguagem humanizada, que orientam os atendentes a evitar termos técnicos, siglas desnecessárias e respostas genéricas. Mais do que responder, é preciso conversar. E isso significa adaptar o tom, reconhecer emoções e dar respostas que façam sentido para cada cliente.
O Nubank, uma das empresas com maior índice de satisfação no Brasil, é reconhecido por sua linguagem simples, direta e acolhedora. Seu atendimento é elogiado não apenas pela agilidade, mas pela forma como se comunica: com empatia, humor quando necessário e, principalmente, respeito. Seus atendentes são treinados para “responder como se fosse para alguém querido da família” — e esse princípio tem se provado poderoso.
Atendimento humano em tempos de automação
Com a digitalização acelerada, muitos processos de atendimento passaram a ser automatizados. Chatbots, FAQ interativo, autoatendimento por aplicativo — tudo isso tem ganhado espaço nos canais das empresas. Mas no Brasil, onde a conexão humana é parte essencial da cultura, o risco de desumanização é real.
O desafio, portanto, é encontrar o equilíbrio. A automação deve ser usada para resolver demandas simples e rápidas, mas sempre com a possibilidade clara de contato humano quando necessário. E mais do que isso: mesmo as interações automatizadas devem carregar empatia. Isso envolve programar bots com linguagem humanizada, oferecer respostas com contexto e garantir uma transição fluida entre máquina e pessoa.
Um exemplo inspirador vem da Amaro, marca de moda digital que implementou um sistema de atendimento automatizado que compreende o contexto da pergunta e oferece respostas mais completas e personalizadas. Quando o cliente precisa de mais suporte, é direcionado a um atendente treinado para continuar a conversa sem repetições ou burocracia.
Essa “tecnologia com alma” é o caminho para manter a eficiência sem perder o calor humano que o consumidor brasileiro tanto valoriza.
O papel da formação e do acolhimento interno
Por trás de um bom atendimento, existe uma equipe motivada, bem treinada e, sobretudo, respeitada pela empresa. No Brasil, a valorização dos atendentes é fundamental para garantir que eles possam entregar uma experiência positiva ao cliente. Afinal, ninguém consegue oferecer empatia se não a recebe dentro da própria organização.
Empresas como a Natura têm políticas de cuidado interno que refletem diretamente no atendimento externo. Programas de escuta dos colaboradores, bem-estar emocional, reconhecimento e desenvolvimento profissional fazem com que os atendentes se sintam parte do propósito da marca — e transmitam isso em cada interação com o cliente.
Segundo pesquisa do Instituto Great Place to Work (2022), empresas que investem em cultura de valorização humana têm 37% mais chances de oferecer um atendimento de excelência. Isso reforça a ideia de que o cliente externo é espelho do cliente interno: se a cultura da empresa é empática, o atendimento também será.
Inovação com identidade: tecnologia a serviço da brasilidade
Muitos acreditam que inovação tecnológica e sensibilidade cultural não combinam. No entanto, o cenário brasileiro mostra exatamente o contrário. Inovar no atendimento ao cliente no Brasil é, cada vez mais, criar soluções que respeitem e dialoguem com a pluralidade nacional. A tecnologia não deve apagar sotaques — deve amplificá-los.
A plataforma brasileira OLX, por exemplo, reestruturou seu atendimento com base nas principais reclamações dos usuários e passou a usar IA para detectar regionalismos e ajustar as respostas dos atendentes e bots de forma mais próxima ao vocabulário dos clientes. Isso gerou um aumento de 25% na taxa de resolução e uma redução de 18% nas reaberturas de chamados (OLX, 2023).
Outro bom exemplo vem da Localiza, empresa de aluguel de carros, que incorporou soluções de atendimento híbrido em seus canais digitais. Parte do atendimento é automatizado, mas a empresa mantém equipes humanas treinadas para lidar com contextos como dificuldade com a linguagem digital, suporte a idosos ou problemas em viagens — situações que exigem sensibilidade e capacidade de adaptação.
Esses casos mostram que o segredo da inovação no Brasil é aliar tecnologia à escuta genuína do cliente. As marcas que mais se destacam são aquelas que entendem que dados são importantes, mas que contextos humanos são insubstituíveis.
Escuta ativa como ferramenta de transformação
Mais do que ouvir, escutar com atenção é hoje uma das habilidades mais poderosas no atendimento ao cliente brasileiro. A escuta ativa envolve entender o que está por trás da fala do cliente: suas emoções, inseguranças, dúvidas e expectativas. Trata-se de ler nas entrelinhas e responder de forma acolhedora e eficiente.
O Reclame Aqui, maior plataforma de defesa do consumidor do país, revelou em um estudo recente (2023) que 48% dos consumidores desistem de uma marca não pela falha inicial, mas pela forma como foram tratados ao relatar o problema. Isso reforça a importância do pós-atendimento como espaço de reconquista e não de desgaste.
A empresa 99 (mobilidade urbana) passou a treinar seus atendentes com base em técnicas de escuta empática. Os atendentes são incentivados a validar o sentimento do cliente antes de apresentar soluções, especialmente em casos sensíveis como cancelamento de corridas ou incidentes com motoristas. Isso reduziu em 32% os índices de insatisfação registrados na plataforma.
Escutar com qualidade permite não só resolver demandas, mas identificar padrões, antecipar problemas e gerar melhorias sistêmicas. Marcas que escutam bem aprendem melhor — e quem aprende, encanta.
Atendimento como construção de vínculos
No Brasil, o atendimento ao cliente não é apenas um serviço — é um momento de relacionamento. O brasileiro valoriza o diálogo, a cordialidade e a conexão emocional. Por isso, cada interação representa uma oportunidade de criar um vínculo que vai além do consumo.
A empresa Embelleze, do setor de cosméticos, desenvolveu um canal exclusivo para ouvir histórias de clientes e usar esses relatos como base para seus treinamentos internos. A estratégia reforça a importância de enxergar o consumidor não apenas como cliente, mas como protagonista da construção da marca.
Essas ações contribuem para que o cliente se sinta parte de algo maior — e esse sentimento é um dos principais motores de fidelização. O brasileiro tende a ser leal a marcas que o representam, que falam sua língua e que o tratam com respeito e carinho.
Como diz Euriale Voidela:
“Clientes fiéis não compram só produtos — compram propósito, afeto e coerência.”
A importância das pequenas interações
Em um país onde o atendimento é parte da cultura cotidiana — pense na forma calorosa como somos atendidos em padarias, feiras ou mercados de bairro — as pequenas interações importam tanto quanto os grandes canais digitais. A experiência do cliente começa no primeiro “bom dia” e pode ser definida por um simples gesto de gentileza.
Isso vale tanto para o pequeno empreendedor quanto para as grandes corporações. No Brasil, um delivery que liga para avisar de um atraso ou uma loja que manda um bilhete à mão junto ao pedido online pode conquistar o coração do cliente para sempre.
A marca Granado, por exemplo, envia junto aos pedidos online um cartão com frases inspiradoras e dicas de uso dos produtos. O retorno em redes sociais e e-mails de agradecimento mostra o quanto esse cuidado faz diferença para o consumidor brasileiro.
Esse tipo de ação não requer altos investimentos, mas sim atenção aos detalhes e valorização do vínculo humano. A experiência do cliente é, em essência, um acúmulo de pequenas experiências. E são elas que constroem reputações e geram lembrança positiva.
Feedbacks como bússola estratégica
O consumidor brasileiro gosta de opinar — e espera ser ouvido. Por isso, dar voz ao cliente e realmente utilizar seus feedbacks como guia para decisões estratégicas é um fator-chave de sucesso no novo cenário do atendimento.
A empresa Algar Telecom, com forte presença em cidades do interior do país, criou um programa contínuo de escuta do cliente chamado “Fala que a gente escuta”. Com base nos retornos recebidos por canais diversos (telefone, WhatsApp, redes sociais e pesquisas), a empresa ajusta processos internos, treina equipes e até muda políticas comerciais.
Essa escuta ativa e responsiva gera um ciclo virtuoso: o cliente percebe que sua voz tem peso, sente-se valorizado e, consequentemente, se torna mais engajado. Isso não só melhora a experiência de consumo, como fortalece o senso de comunidade entre empresa e público.
A transparência sobre o que foi feito a partir do feedback também é essencial. Mostrar ao cliente que sua sugestão gerou uma mudança é uma das formas mais potentes de gerar lealdade.
Humanização como estratégia de longo prazo
Em um mundo acelerado, impessoal e digitalizado, empresas que apostam na humanização do atendimento se destacam. No Brasil, essa aposta é especialmente eficaz, pois dialoga com o imaginário coletivo do “bom atendimento” como uma conversa entre conhecidos, onde há cuidado, simpatia e atenção.
A humanização não significa abandonar a tecnologia, mas sim dar a ela um propósito claro: facilitar a vida das pessoas com sensibilidade. Significa entender que cada cliente é único, com sua bagagem cultural, seus medos, suas conquistas.
Empresas que investem em humanização colhem não apenas mais vendas, mas mais reputação positiva, mais indicações e mais amor pela marca. E como sabemos, amor de cliente não se compra — se conquista.

Conclusão: o Brasil do acolhimento como potência no atendimento
O Brasil sempre foi reconhecido por seu jeito caloroso de receber, conversar e cuidar das relações humanas. Agora, essas características ganham uma nova dimensão estratégica no atendimento ao cliente. Em um mercado cada vez mais exigente, veloz e digital, são justamente os valores culturais brasileiros — a empatia, o acolhimento, o senso de comunidade — que se tornam os maiores diferenciais competitivos.
Não se trata apenas de oferecer suporte técnico eficiente ou de resolver problemas rapidamente. O consumidor brasileiro quer ser compreendido, respeitado e, acima de tudo, valorizado em sua identidade. Ele busca um atendimento que dialogue com sua realidade, que reconheça seus sotaques, que entenda seus silêncios e celebre sua pluralidade.
Essa nova era do atendimento exige muito mais do que tecnologia: exige escuta ativa, inteligência emocional e uma cultura organizacional comprometida com o humano. As empresas que liderarão esse movimento serão aquelas que conseguirem traduzir suas estratégias em gestos reais de cuidado com o cliente — tanto nos grandes centros quanto nos pequenos interiores, do digital ao presencial.
Como vimos ao longo deste artigo, há exemplos consistentes e inspiradores sendo construídos no Brasil. De startups a grandes corporações, empresas que apostam na humanização do atendimento têm colhido resultados expressivos em fidelização, reputação e crescimento sustentável. A empatia, quando colocada em prática com autenticidade, tem se mostrado um poderoso motor de transformação.
No entanto, esse caminho exige compromisso e consistência. Não basta treinar equipes com frases prontas ou usar scripts simpáticos. É necessário criar ambientes internos onde os colaboradores também sejam respeitados e ouvidos. Afinal, quem é bem tratado tende a tratar bem. A cultura do atendimento começa dentro de casa.
Também é essencial que as marcas aprendam com seus próprios consumidores. Cada reclamação traz uma oportunidade de evolução. Cada elogio revela um acerto a ser potencializado. O cliente brasileiro é participativo, opinativo e emocionalmente engajado — e isso deve ser visto não como desafio, mas como ativo estratégico.
Como afirma Euriale Voidela, em uma de suas falas mais marcantes:
“No Brasil, o atendimento não é um processo — é um relacionamento. E toda relação exige presença, respeito e verdade.”
O futuro do atendimento ao cliente no Brasil está nas mãos de quem souber unir inovação com afeto, dados com escuta, e tecnologia com identidade. Em um país que respira diversidade e vive de afeto, os negócios que encantam são os que conseguem atender com o coração.
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