Liderança

Relatórios indicam avanço lento da representação feminina em cargos de decisão

Silenciamento progressivo e estrutural pode estar relacionado ao cenário

As mulheres ocupam apenas 30% dos cargos de direção no mundo, um avanço considerado tímido nas últimas décadas, conforme aponta um relatório de 2025 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Para Fabiana Bertotti, maior especialista em oratória do Brasil atualmente, esse cenário pode estar relacionado a um silenciamento progressivo e estrutural, ainda presente em diferentes esferas sociais e profissionais.

Ela destaca que esse recorte se soma a outros índices. “Se as mulheres são metade da população do planeta, por que no dia primeiro de janeiro de 2025 elas ocupavam 27,2% das cadeiras nos parlamentos nacionais?”, pontua com base na ONU Mulheres. A especialista também menciona outro dado, baseando-se na OIT, de que 708 milhões estão fora do mercado de trabalho por responsabilidades ligadas ao trabalho não remunerado.

Para ela, os números revelam um padrão histórico. A menor presença nos espaços de decisão não decorre de incapacidade individual, mas de um arranjo social que restringe tempo, renda e oportunidades. Isso impacta diretamente quem participa das decisões públicas e corporativas. “Isso não é coincidência, mas estrutura. Quando você tem menos tempo, menos renda, menos presença nos espaços de decisão, você tem menos voz.” Segundo Fabiana, muitas mulheres foram empurradas para fora do palco institucional, o que altera o próprio exercício da fala.

Ela cita o conceito de “backlash”, estudado na psicologia social. Em 2001, pesquisa publicada no “Journal of Social Issues” mostrou que mulheres descritas como firmes e ambiciosas tendem a receber avaliações mais negativas do que homens com o mesmo comportamento. Elas eram vistas como menos simpáticas, enquanto eles eram percebidos como líderes naturais. “A liderança exige firmeza, só que a firmeza feminina gera a penalização social”, comenta, ressaltando que esse paradoxo cria um custo de reputação que influencia escolhas profissionais e modos de se posicionar.

O julgamento, afirma, não se limita ao conteúdo das ideias. Fabiana enfatiza que pesquisas também indicam que vozes femininas com registro mais grave e arrastado no final das frases, o chamado “vocal fry”, foram avaliadas como menos competentes e confiáveis em ambientes de trabalho, com maior impacto sobre mulheres. “Falar começa a ter um custo, e o cérebro aprende essa matemática, a reduzir, a moderar. Muitas vezes, o bloqueio não é técnico, mas resultado de experiências acumuladas desde cedo”, explica.

No Brasil, a baixa representação no parlamento reforça esse quadro. O país aparece entre as posições mais baixas do ranking global de presença feminina, segundo dados da ONU Mulheres Brasil com base na União Interparlamentar. A ausência nos espaços onde as leis são formuladas influencia prioridades públicas e a distribuição de recursos.

“A comunicação não é apenas técnica vocal, dicção, postura, mas um reposicionamento interno combinado com estratégia externa”, defende Fabiana, ressaltando que ocupar espaço exige autorização interna, organização do pensamento e repertório consistente. “O silenciamento tem custo financeiro. Treinar a nossa voz é um ativo”, conclui a especialista, afirmando que se posicionar não é excesso nem afronta, mas uma forma legítima de participação nos espaços onde decisões estruturais são tomadas.

Autoestima como resposta

O debate sobre voz, presença e penalização social também aparece na produção editorial de Fabiana Bertotti. No livro “Você é Suficiente”, da Parole Editora, a autora amplia a discussão sobre posicionamento feminino ao relacionar autopercepção, comunicação e participação nos espaços de decisão. A obra articula referências da psicologia e da neurociência com experiências pessoais e observações do cotidiano.

Ao defender que o bloqueio da fala nem sempre é técnico, mas resultado de experiências acumuladas de julgamento, o livro dialoga diretamente com os dados apresentados sobre liderança e representação feminina. A autora sustenta, ainda, que crenças sobre valor pessoal influenciam escolhas profissionais, exposição pública e disposição para ocupar cargos estratégicos.

A publicação se insere no debate mais amplo sobre estrutura social e desenvolvimento individual. Ao tratar autoestima como processo contínuo, o livro aparece como desdobramento da tese central defendida por Fabiana, que ocupar espaço exige não apenas técnica, mas reposicionamento interno diante de contextos que historicamente limitaram a voz feminina.

Serviço

O livro “Você é Suficiente” pode ser adquirido em: https://www.fabianabertotti.com/voce-suficiente/

Vídeo “A voz das mulheres tem custo – e isso é estrutura” https://www.youtube.com/watch?v=DkTPBbMf9zA – onde Fabiana Bertotti aborda o tema com dados da psicologia social 

Sobre Fabiana Bertotti  

Maior especialista de oratória no Brasil atualmente, referência na capacitação de líderes e profissionais que buscam comunicação clara, estratégica e de alto impacto. Reúne mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais, sendo só no Instagram 2.8 milhões. E alcance mensal superior a 25 milhões de pessoas. Jornalista formada pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), escritora best-seller e especialista em Comunicação Estratégica, Oratória e Posicionamento. Direcionou sua carreira para a formação de comunicadores, com especialização em Cinema e Audiovisual pela PUC-PR e cursos de escrita no Brasil e na Inglaterra. São mais de 20 anos de experiência em palco, mais de 12 livros publicados e atuação em palestras e conferências no Brasil e no exterior.

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